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  • Roberta Esteves Vieira de Castro

Cólicas do bebê

Atualizado: Set 4


O que é a cólica?

A cólica é o choro ou agitação frequente, prolongado e intenso em um bebê saudável. Pode ser particularmente frustrante para os pais, porque o sofrimento do bebê ocorre sem motivo aparente e nenhum consolo parece trazer qualquer alívio. Esses episódios geralmente ocorrem à noite, quando os próprios pais costumam estar bem cansados. Os episódios de cólica geralmente atingem o pico quando a criança tem cerca 15 dias de vida e diminuem significativamente após os 4 a 5 meses de idade, podendo se estender por, no máximo, 6 meses. O pico de incidência é

aos 45 dias de vida. De um modo geral, 1 bebê em cada 5 preenche os critérios de cólica infantil com uma idade de seis semanas. Embora o choro excessivo desapareça com o tempo, controlar as cólicas pode ser um processo muito estressante, mas você pode tomar algumas medidas que podem diminuir a gravidade e a duração dos episódios de cólica, aliviar seu próprio estresse e aumentar a sua confiança na conexão com o seu bebê.


Por que a cólica acontece?

A causa da cólica é desconhecida. Pode resultar de vários fatores. Embora uma série de causas tenha sido explorada, é difícil para os pesquisadores explicar todas as características importantes, como, por exemplo, por que geralmente começa no final do primeiro mês de vida, por que e como varia entre os bebês, por que acontece em determinados momentos do dia e por que ela se resolve sozinha ao longo do tempo.

Alguns dos fatores contribuintes incluem:

  • O sistema nervoso do bebê ainda é muito imaturo;

  • O sistema digestivo do bebê ainda não está totalmente desenvolvido;

  • Pode ocorrer um desequilíbrio de bactérias saudáveis no trato digestivo;

  • O bebê pode estar mamando muito ou pouco ou soltando poucos

  • arrotos;

  • Fatores relacionados ao ambiente, incluindo estresse ou ansiedade

  • familiar.

Portanto, não é somente uma produção de gases. Muitas coisas podem acontecer!


A cólica pode estar relacionada ao tipo de leite que o bebê mama?

A cólica nos bebês pode surgir tanto naqueles que mamam somente leite materno quanto nos bebês que não recebem aleitamento materno exclusivo. No entanto, bebês que não mamam leite materno apresentam quase o dobro do risco de apresentar cólicas. O que se observa é que pode

ser a razão de diversas e injustificadas trocas nos tipos de fórmulas infantis oferecidas ao bebê. Portanto, não se deve nunca interromper o aleitamento materno exclusivo com o objetivo de diminuir as cólicas.


A cólica nos bebês que mamam leite materno pode estar relacionada à dieta da mãe?

Até o momento, não existe nenhuma evidência de que uma mudança na dieta da mãe reduza a cólica em bebês que não sejam alérgicos. É importante considerar a sensibilidade materna (ver quais alimentos a mãe refere como causadores de desconforto nela). Muitas mãe referem que a diminuição de determinados alimentos, como cebola, pimenta, alho ou repolho, melhora a cólica nos bebês, mas isso não foi provado cientificamente. De todo modo, devemos sempre nos lembrar da importância de se ter uma alimentação saudável. A dieta somente será necessária em caso de bebês que tenham alergia.


Sintomas

Agitação e choro são normais para bebês, especialmente durante os primeiros três meses. E a amplitude do que é o choro normal é difícil de definir. As características da cólica podem incluir:

  • Choro intenso que pode parecer mais com um grito ou uma expressão de dor;

  • Choro sem motivo aparente, ao contrário do choro para expressar fome ou a necessidade de trocar a fralda;

  • Agitação extrema, mesmo após o choro ter diminuído o tempo previsível, com episódios que ocorrem frequentemente à noite;

  • Tensão corporal;

  • Às vezes, há alívio dos sintomas depois que o bebê expele gases ou defeca. O gás é provavelmente o resultado da ingestão de ar durante o choro prolongado.

Lembre-se que a principal manifestação da cólica no bebê é o choro inconsolável. Porém, o choro é a forma que o bebê tem para se comunicar com seus pais e faz parte do seu desenvolvimento neurológico e comportamental. Portanto, pode ser causado por outras situações, como fralda suja, calor, frio e fome. Quando você já abordou essas condições e o choro persiste, realmente pode ser cólica. Outra coisa: nem todo choro inconsolável é sinal de cólica. Dessa forma, se mesmo assim persistir, os pais devem consultar o pediatra. Se o seu bebê tiver menos

de 2 meses e estiver com febre, leve ao pronto-socorro.


A hora da bruxa

A hora da bruxa é descrita como períodos normais de agitação pelos quais passam quase todos os bebês. Acontece na mesma hora todos os dias e ocorre com mais frequência no final da tarde e à noite, por volta das 17-18h.


O que fazer para aliviar a cólica do bebê?

Existem várias medidas simples que podem ser feitas em casa para aliviar as cólicas do seu bebê:

1. Pegue seu bebê no colo.

A mãe pode fazer contato pele a pele, colocando a barriguinha do bebê em contato com a sua barriga. O uso de sling também é uma opção. Nos primeiros três meses de vida, os bebês demandam muito colo!

2. Enrole o bebê em um cobertor ou manta.

Enrole os bracinhos do bebê confortavelmente contra os lados do corpo, mas deixe as pernas soltas e flexionadas para que os quadris tenham espaço para se mover. É fazer tipo um “charutinho” mesmo com o bebê. Até os três meses, os bebês têm um reflexo primitivo que é acionado quando fazemos coisas que se assemelham a sua experiência fetal na barriga da mãe.

3. Depois de enroladinho, pode colocar o bebê deitado no seu antebraço.

Posicione seu bebê sobre o antebraço ou colo com a cabeça apoiada em sua mão. É mais fácil acalmar um bebê que chora quando ele está deitado de lado com o estômago pra cima. Mas cuidado: os bebês nunca devem dormir de lado ou de barriga para baixo sem sua supervisão, pois isso aumenta o risco de síndrome de morte súbita infantil.

4. Fazer “shiiii”.

Dentro do útero, os ruídos são mais altos do que um aspirador de pó!!! Imitar sons semelhantes aos do útero ajuda os bebês a dormir mais. Um exemplo, é você falar “shiiii” no ouvidinho dele. Existem alguns aplicativos que usam ruído branco para acalmar os bebês. A gravação do barulho de chuva ou até mesmo o som de um secador de cabelo também podem funcionar. A gente até acha que esses barulhos são muito altos, mas os bebês os consideram reconfortantes porque se aproximam dos sons que ouviram no útero.

5. Faça massagens na barriguinha do bebê.

Pode-se flexionar as coxas do bebê sobre a barriga, como um movimento de bicicleta das perninhas. Pode-se também fazer massagem com a sua mão em sentido horário, formando uma “?” na barriguinha do bebê. Uma excelente opção também é a Shantala.

6. Dar um banho morno ou aplicar compressas na barriga podem auxiliar na redução da cólica/choro no lactente.

Sempre prestar atenção na temperatura da água, para não ficar muito quente. O banho de ofurô é uma excelente alternativa.

7. Diminuir os estímulos para o bebê.

Evite locais com muito barulho ou aglomerações. Isso é diferente de ruído branco. À noite, quando for alimentá-lo ou trocá-lo, evite luzes fortes e ruídos, como televisão.

8. Procure sempre um ambiente tranquilo.

Uma musiquinha suave ajuda a acalmar o bebê.

9. Evite alimentar demais seu bebê.

Isso também pode deixar seu bebê desconfortável. Tente esperar pelo menos 2 horas a 2 horas e meia desde o início de uma mamada até a próxima.

10. Tente estabelecer uma rotina para banho, sono, passeio e outras atividades.

Bebês gostam de rotina!

11. Não dê para o seu bebê nenhum chá ou medicamento e nem use fórmulas infantis (ou, no caso de bebês que não estejam em aleitamento materno exclusivo, não troque a marca do leite que o bebê usa) sem a orientação do pediatra.


Lembre-se: reserve um tempo para si mesma, especialmente se você estiver física e mentalmente exausta!


Quando procurar um médico?

O choro excessivo e inconsolável pode ser cólica ou uma indicação de uma doença ou condição que causa dor ou desconforto. Marque uma consulta com o pediatra do seu filho para um exame completo se ele sentir choro excessivo ou outros sinais ou sintomas de cólica.


Referências

1. AMERICAN ACADEMY OF FAMILY PHYSICIANS. “Colic”. 2020. Disponível em: https://familydoctor.org/condition/colic Acesso em: 05/11/2020

2. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS – HEALTHY CHILDREN. “How to Calm a Fussy Baby: Tips for Parents & Caregivers”. 2016. Disponível em: https://www.healthychildren.org/English/ages-stages/baby/cryingcolic/

Pages/Calming-A-Fussy-Baby.aspx Acesso em: 05/11/2020

3. BREASTFEEDING CENTER. “Witching Hour vs Colic”. 2014. Disponível em: https://www.sdbfc.com/blog/2014/5/22/witching-hour-vs-colic Acesso em: 05/11/2020

4. CASTRO, Roberta Esteves Vieira de. “Cólica infantil: revisão avalia métodos de prevenção e tratamento”. 2020. Disponível em: https://pebmed.com.br/colica-infantil-revisao-avalia-metodos-deprevencao-e-tratamento Acesso em: 05/11/2020

5. COLIC SOS. “What is Colic?” 2020. Disponível em: https://colicsos.com/ Acesso em: 05/11/2020

6. MAYO CLINIC. “Colic”. 2020. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/colic/symptoms-causes/syc-20371074 Acesso em: 05/11/2020

7. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. “Cólica do lactente”. 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-parafamilias/cuidados-com-o-bebe/colica-dolactente/ Acesso em: 05/11/2020

8. SPRINGEN, Karen; BILICH, Karin; REECE, Tamekia. “How to Soothe a

Colicky Baby”. 2020. Disponível em: https://www.parents.com/baby/care/colic/how-to-soothe-a-colicky-baby/ Acesso em: 05/11/2020

9. TEZZA, Mariana. “Cólica do lactente”. 2020. Aula ministrada no curso online Puericultura na Prática.

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